DESENVOLVIMENTO CEREBRAL
TED-Ed - The mysterious workings of the adolescent brain | Sarah-Jayne Blakemore
Com os recentes avanços tecnológicos, relativamente ao desenvolvimento da imagiologia por ressonância magnética em particular, tornou-se possível aprofundar o conhecimento acerca do interior do cérebro humano, assim como a sua evolução ao longo das diferentes etapas da vida humana. Aqui, abordaremos em específico o desenvolvimento do cérebro durante a adolescência e a forma como esse desenvolvimento pode explicar comportamentos comuns entre os indivíduos durante esse período.

Um projeto realizado pela NIH (National Institutes of Health) estudou o desenvolvimento do cérebro de mais de 100 jovens ao longo da década de 90. Esse mostrou que o cérebro humano sofre uma enorme reorganização entre os 12 e os 25 anos de idade, sendo o córtex pré-frontal uma das regiões mais afetadas por estas modificações. Essa região, o córtex pré-frontal, está relacionada com múltiplas funções cognitivas, tais como tomadas de decisão, planeamento, controlo de impulsividade, interações sociais e metacognição (pensar sobre o pensamento, sobre o que se está a sentir, sobre o modo como os outros nos percebem ). Porém, esta região ainda encontra-se em desenvolvimento durante a fase da adolescência, pelo que muitos jovens apresentam deficiências no que diz respeito a essas competências. Da mesma forma, o volume de matéria cinzenta aumenta durante a infância, atingindo o seu expoente máximo durante o início da adolescência, e diminui consideravelmente durante o que resta desse período. Esta diminuição do volume de matéria cinzenta no córtex pré-frontal está associada a um aprimoramento das sinapses (fortalecimento das sinapses usadas e remoção das não utilizadas), trata-se de um processo muito importante no desenvolvimento de um ser humano, visto que faz com que o cérebro torne-se num órgão muito mais rápido e eficiente.

Por outro lado, o sistema límbico desenvolve-se muito mais cedo que o córtex pré-frontal. Este é responsável, principalmente, por comportamentos emocionais e sexuais, aprendizagem, memória e motivação. Em adição, mudanças em ambos os neurotransmissores de dopamina e serotonina no sistema límbico tornam os adolescentes mais emotivos e hipersensíveis a sensações de recompensa e stress. Quando estas substâncias químicas funcionam corretamente são capazes de atenuar comportamentos extremos. No entanto, quando stresse, excitação ou outras sensações semelhantes tornam-se extremas, o cérebro dos adolescentes é inundado por impulsos que superam a capacidade de controlo do córtex pré-frontal, resultando num aumento da prática de comportamentos de risco e colapsos emocionais.

Portanto sempre que um adolescente tomar uma decisão irresponsável é importante ter em consideração o subdesenvolvimento do seu córtex pré-frontal, que apesar de não ser o único responsável por tal decisão, influencia fortemente na toma da mesma.