ESPECIFICIDADES DO DESPORTO

   Como já foi expresso, refutamos o confronto de dualismo entre a influência genética e a ambiental, acreditamos numa relação de complementaridade, estabelecendo uma relação simbiótica. O desporto não se desvencilha dessa lógica.

   Antes de qualquer premissa, é importante ressaltar que esta discussão só tem validade se referirmos ao sistema do desporto profissional (modalidades institucionalizadas), na qual o principal objetivo é o rendimento e enquadram-se os atletas de elite e formação.

   Um dos principais aspetos no debate Nature x Nurture no desporto consiste no desenvolvimento do talento e formação de atletas de elite. "Talento: já nasce com ou sem?" "É possível formar o talento, ou já vem pronto?" são questões frequentes nessa discussão. Nós, como grupo, baseando na ideia da complementaridade, acreditamos que o rendimento desportivo é multifatorial, na qual as dimensões intrínsecas e extrínsecas - em interação - são determinantes para o produto final, quer seja para a performance profissional, quer seja na formação de atletas.

   Em relação à dimensão intrínseca, mais precisamente, o papel da genética no desenvolvimento e rendimento do atleta, acreditamos que seja um importante aspeto a se considerar, pois o genoma pode fornecer ao atleta uma predisposição para a prática de determinado desporto, por exemplo a elevada expressão do gene ACTN3, que está associado à velocidade e à força, fornece uma predisposição para modalidades que exijam tais valências físicas (e.g. velocistas). Para ilustrar melhor, tomemos o caso apresentado na TEDxTalk ministrada por David Epstein, em que os jogadores de basquetebol estão a ficar mais altos. Isto é resultado de uma "seleção artificial" na qual os mais altos se destacam. Assim, afere-se que possuir uma estatura elevada fornece uma predisposição para a prática de basquetebol.

   Outro aspeto intrínseco, é a motivação própria do atleta. Numa das suas obras, Coyle (2012) debruça-se sobre esta temática, onde afirma que a "Motivação" é fundamental para o desenvolvimento do talento. Sendo possível assumir que o talento começa a ser estimulado, ou melhor, começa a ganhar "raízes" dentro do indivíduo quando por exemplo se vê os melhores atletas na televisão ou no estádio. Estes "encontros" estimulam a nossa motivação e a nossa identidade liga-se a essas pessoas ou aos grupos/equipas de alto rendimento. Isto é o chamado "clique", aquele ínfimo pensamento que nos entusiasma e nos leva a dizer "Aquele poderia ser eu", culminado na Motivação intrínseca, que é crucial para a formação desportiva.

   Em contrapartida, a dimensão extrínseca, com vários aspetos como o treino, contexto ambiental, avanços tecnológicos, alimentação, família e afins, são fundamentais para o desenvolvimento do atleta e para a performance de elite, na qual sem a estimulação correta de nada adianta o genoma ou a motivação.

   Por exemplo, de que adianta ao atleta ter o conjunto de genes e dimensões físicas certos para a prática do futebol, se não se treina como deve ser? Casos como o de Cristiano Ronaldo e de Lionel Messi - dois dos jogadores mais renomados da história - são exemplos. Ambos tiveram com eles fatores extrínsecos a favor, na qual desenvolveram-se nas duas das melhores academias de formação do mundo, Alcochete (Sporting CP) e La Masia (FC Barcelona).

   Por outro lado, o papel da tecnologia também é muito influente na performance desportiva ao mais alto nível. Novamente recorrendo à TED Talk referida acima, David Epstein expõe o caso de Jesse Owens e Usain Bolt, em que um teve claramente um "boost" no seu rendimento devido ao contexto tecnológico em que se encontra. Bolt parte em vantagem em relação a Owens devido às características da pista em que corre, pois esta tem maior aderência comparando à pista em que Owens corria, na qual era feita por cinzas de madeira queimada, que dissipava mais energia a Owens à medida que ele aplicava força ao solo. Assim, como cita o vídeo, a partir de análises biomecânicas da velocidade das articulações de Owens, se ambos competissem sob às mesmas condições, a diferença entre Bolt e Owens não seria de 4 metros, mas sim de apenas uma passada. Logo, nota-se a diferença que a tecnologia pode fazer.

Em suma, destacamos que a performance desportiva é multifatorial, sendo que as dimensões intrínsecas e extrínsecas assumem uma relação de complementaridade. Dessa forma, só uma por si só não é suficiente para desenvolver, determinar e formar o talento.


TED - Are athletes really getting faster, better, stronger? - David Epstein

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