MICHAEL J. MEANEY - RAT EXPERIMENT
Michael J. Meaney é professor na Universidade de McGill, no Canadá e ficou conhecido na comunidade científica pelas suas pesquisas e experiências sobre o stress e a epigenética. Numa das suas mais famosas experiências, Meaney e alguns dos seus colegas observaram, estudaram e analisaram o comportamento e o cérebro, quer de ratos que recebiam afeto das progenitoras, quer de ratos que não o recebiam. Os resultados deste estudo ajudam-nos a perceber um pouco do que se trata a epigenética e de como esta se desenvolve.
Nesta experiência observou-se que, quando os ratos cresciam, estes se comportavam da mesma forma que as suas mães e que tal se repetia de geração em geração. Ou seja, se recebessem afeto enquanto recém-nascidos, quando chegassem à fase adulta, iriam ser também afetuosos com os seus filhos. Se não recebessem esse carinho, também não o iriam transmitir às suas crias no futuro. Para afastar a ideia de que os ratos poderiam apenas, ter, geneticamente, as mesmas características dos antepassados, os investigadores colocaram ratos de mães pouco afetivas ao cuidado de mães afetivas e vice-versa. Ora, quando estes cresceram, cuidaram dos seus filhos da mesma forma que tinham sido criados, provando que o DNA original não era preponderante nas atitudes maternais do animal. Michael e a sua equipa decidiram, então, investigar os cérebros de ratos que não haviam recebido carinho maternal e dos que o haviam. Concluíram, portanto, que os primeiros, ainda apresentavam moléculas de metilo em genes associados ao cuidado maternal, enquanto que os segundos já não. A presença destas moléculas inibe a atuação desses genes e explica o quão importante é o ambiente social em que vivemos.
Com isto, Michael J.
Meaney ajuda-nos a perceber que algumas marcas e características epigenéticas
mantêm-se de geração em geração e que as experiências e escolhas dos nossos
pais ajudam a modelar o nosso próprio epigenoma. Contudo, há que salientar que a
nossa epigenética não é permanente e as nossas experiências socias, à medida
que envelhecemos, vão na alterando.
Environmental programming of stress responses through DNA methylation: life at the interface between a dynamic environment and a fixed genome